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BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Mulher, de 36 a 45 anos, Portuguese



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Um espelho às vezes turvo


Para sempre

Minha mãe vive, revive, vasculha e se reencontra comigo mesma dentro dos labirintos do meu EU.

Minha mãe é corporificada em mim; é para sempre...



Escrito por Fabiane às 18h42
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Canção na plenitude

Lya Luft

 
Não tenho mais os olhos de menina
nem corpo adolescente, e a pele
translúcida há muito se manchou.
Há rugas onde havia sedas, sou uma estrutura
agrandada pelos anos e o peso dos fardos
bons ou ruins.
(Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.)

O que te posso dar é mais que tudo
o que perdi: dou-te os meus ganhos.
A maturidade que consegue rir
quando em outros tempos choraria,
busca te agradar
quando antigamente quereria
apenas ser amada.
Posso dar-te muito mais do que beleza
e juventude agora: esses dourados anos
me ensinaram a amar melhor, com mais paciência
e não menos ardor, a entender-te
se precisas, a aguardar-te quando vais,
a dar-te regaço de amante e colo de amiga,
e sobretudo força — que vem do aprendizado.
Isso posso te dar: um mar antigo e confiável
cujas marés — mesmo se fogem — retornam,
cujas correntes ocultas não levam destroços
mas o sonho interminável das sereias.


O texto acima foi extraído do livro "Secreta Mirada", Editora Mandarim - São Paulo, 1997, pág. 151.



Escrito por Fabiane às 18h28
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Voa, verde voa - Para o dia das mães

Fransmar Costa Lima

Fabiane Helvadjian

 

Pensar a maternidade nos leva pela mão a lançar um olhar cauteloso e enternecido sobre tudo aquilo que parece incompreensível nos dias de hoje. Um olhar sobre a maternidade é uma forma de abraçar todos os seres humanos. Acolhimento. Guarida.

Ser mãe é segredo escancarado na barriga redonda, cochichando à humanidade o iminente trazer à luz a vida concreta e palpável, que até então se encontrava enevoada. Os olhos de cada filho vão na viagem maravilhosa de conhecimento e de reconhecimento da Beleza, que vai se desvelando aos olhos dos que sabem apreciar as cores do mundo.  Poucos aprendem, na viagem pela vida, a desfrutar dessa bênção. Poucos veem as cores e podem, de fato, enxergá-las... O mundo vem entremeado de tons e sobretons, de sombras e luz.

Crescer é perseguir plenitudes de contemplação: uma constante busca pelo estado de graça. Uma mãe é um pontilhado de luzes, a iluminar, marcando a rota, o caminho desta contemplação. São as mães que fazem voar acesos e fluorescentes, acima de nossas compreensões, os felizes pirilampos que conduzem, verdes, os passos inseguros de suas crianças até os passos firmes, trilhados na juventude tateante e incerta.

Como são floridos os caminhos trilhados por mãos entrelaçadas de mães e filhos. É  graça constante na edificação da vida, que vai além do nascer, do meramente existir. Pirilampos acesos na tenra infância acompanham, imortais, e por isso divinos, cada momento, cada queda, e cada recomeço nas constituições de homens singulares, que tornarão aqueles instantes em únicos, capaz de sintetizar toda a magnitude da vida. Verdadeiros pirilampos são para a vida toda.

         Vagalumes acesos de fato revelam, por todos os dias de todas as existências, toda a beleza existente em auroras e arrebóis. Reafirmam, com sua luz, a existência de sombras que não vingarão. Vagalumes revelam os sutis tons da existência e as intensas cores da prazer, sem tempo nem idade.  Nenhuma plenitude seria tão palpável sem as luzes a que nos trazem as mães. Quem coleciona pirilampos dentro de si possui um baú e conta com um tesouro: Pirilampos são gestos fulgurantes de amor.



Escrito por Fabiane às 01h23
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Entre Luz e Rosas, em ocasião ao dia das mães

Fransmar Costa Lima

Fabiane Helvadjian

 

Gente grande age assim mesmo... Redescobre-se em ecos de emoção que pululam e incomodam. Redescobri que poucas vezes parei para dizer que te amo.

Aliás, fazia tanto tempo que, acostumado a senti-lo como parte de mim, naturalmente,  eu já não senti a urgência em dizê-lo. É que acostumado a isso, talvez não tenha sido digno ao corresponder o seu amor. Desculpe-me... 

Agora, passados os anos, vestido em calças compridas, acometem-me pedaços de infância, abandonados no limbo de minha memória:  Rosas luminosas, poéticas, altivas, singelas e afetivas.

Rosas de Guimarães, rosas de Noel.  Rosas lançadas durante uma canção do Roberto.

Rosas que ornam com perfeição o verde da poesia repentina de Mangueira. Pensei em fazer um samba. Talvez uma valsa ou um soneto, aproveitando versos de Chico ou música de Tom, reciclando  poesia de Vinícius ou eróticas prosas de Amado. Mas qual Jorge reproduziria em arte o brilho desse materno lumiar?  

 Girei o mundo de palavras, fatos e verdades pessoais e aqui me vi nessa verdade crua: Não me esqueci de que te amo e nem nunca deixei de te amar.

O que acontece, mãe, é que quando crescemos ficamos desacostumados com a luz que orna teu colar.  Ah, essa  radiante luminiscência: tão fulgurosa...  Esse meu ardente desejo de preservar a vida, fruto de seu amor, volta imediatamente à minha lembrança quando o cotidiano cinza me presenteia com um repentino perfume suave de rosas. De rosas que tingem de rubro os campos floridos que abraçam a aurora  e o fazem bailando nos meus sons.

Luz das canções de saudade, luz que entoa as flautas e pífaros em acorde majestoso com todos os sons: das cantigas, das rodas, dos jogos, da infância, enfim. Brilha intensa a frágil luz do abajur que se apagava com o último beijo do dia. E me lembro, no dia seguinte, com a luz natural da fresta em nossa janela, no preguiçoso meu mover de olhos, nova explosão de rosas: Seus beijos matinais eram explosão de perfume em sutileza de amor.

Cada cor e cada sensação, entre luz e rosas, reforçam, no maduro que sou hoje, o seu amor  perpetuado.  Qualquer mover de mãos ou tintas para traduzir tudo isso é muito, muitíssimo pouco. Há sentimentos que só o silêncio é capaz de comunicar

 

Para Nossas Mães



Escrito por Fabiane às 01h20
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Arapuca

As armadilhas, as arapucas, aprisionam passarinhos... Se bem pequenino ele for, safa-se pelo entremeio, pela entrelinha... 

 

Enquanto isso, a vida vai acontecendo... 



Escrito por Fabiane às 13h09
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RETICÊNCIAS...

Clara... Simplesmente clara: é a singeleza, a consonância de sons mais perfeita de todo o universo... Poesia em forma de gente.

 

Seu toque sutil de dedos, sua voz mansa e ressonar, seus cachos emoldurando o mundo mágico dos olhos, ora castanhos, ora verdes... Tanta indecisão...

 

Clara é luz em forma de presente divino... Deus, eu não sabia que era merecedora de tanta ternura. Clara veio para me mostrar o quanto sou passível de evolução, o quanto sou humildemente pequena e que meu papel no mundo se renova e renova, transformando-se infinitamente.

 

Clara é tudo!!!

 



Escrito por Fabiane às 12h56
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Quem canta seus males espanta!!!

A gente vai vivendo um dia depois do outro, sem se dar conta dos propósitos que existem por trás das casualidades. Não podemos negar que há um propósito. Ninguém cresce e se desenvolve quando tudo vai muito bem. Os conflitos nos fazem abrir mais olhos em “semi-sono” [termo emprestado de João Guimarães Rosa] e refletir em como sair da pior enrascada dos últimos tempos…

Só estou tentando dizer, caros, que diferente do que ocorre com a minha cadelinha, minha alegria precisa de muito mais de que um petisco ou de um agrado no cocoruto, gente que sou… Conviver com semelhantes - nem tão semelhantes assim - nos expõe a situações muito complicadas… Temos que perdoar e deixar passar o que há de engano para sermos completos, ou pelo menos para tentarmos sê-lo, ainda que em silêncio.

Já a minha prima fala pelos cotovelos… A completude vem com a enxurrada das palavras. Ela sente que os sentimentos sufocam e precisa colocar partes de sentimento pra fora. Algumas outras criaturas escutam, cantam, reproduzem e enviam músicas. “Ah! Essas porta-vozes!” Elas são ótimas, porque não nos conhecem por dentro, mas nos invadem de maneira maciça e genuína. Vestem nosso espírito mas não nos comprometem, já que nem fomos nós quem dissemos aquilo tudo…

-Eu? Eu nunca disse isso para você!!! Cê tá doida? - ou senão - Nunca quis dizer nada disso. É só uma canção…

E há canções que dizem pluralidades multifacetadas, como são os nossos sentimentos. Sim, porque nossos sentimentos são cubisticamente recortados e variam com nosso estado de espírito: Se estou carente, sentimentos são assim… Se você fez o que eu queria, sentimentos são assado… O que vale são os eus nos meus momentos, egocentricamente…

Enquanto isso,vão e vem as reflexões e uma vida é gerada dentro de mim. Não dá pra ser egoísta agora.
As músicas que soam por aqui são as de caixas de música, entremeadas à expectativa de conhecer o rosto da minha filha. Esse som, aos meus ouvidos, é único e mágico. Minha filha é fruto de um amor intenso, mesmo que estranho porque diferente de todo o convencional, e vem Clara por causa disso.

Tenho uma família com cachorro. Tem alguma canção que fale sobre isso?



Escrito por Fabiane às 11h27
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Soneto da Fidelidade, do Poetinha



Escrito por Fabiane às 21h17
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O Estatuto do Homem - Thiago de Mello



Escrito por Fabiane às 21h10
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Esmolas Afetivas

Martha Medeiros

 É dureza levar um fora de quem a gente adora. Parece o fim do mundo, parece que nada pior pode nos acontecer. Mas pode. Pode o querido (vale para as queridas que se mandam, também) fazer o tipo bom moço e encher você de palavras carinhosas depois do pé-na-bunda.

Você vai até a farmácia e acaba com o estoque de lenços de papel. O atendente finge não reparar no seu nariz vermelho e nos seus olhos inchados. Aí, você volta para casa, liga o computador, abre sua caixa postal e está lá o nome do querido: mensagem para você. Seu coração dispara. Agarra o mouse com força, clica e lê as palavras mais lindas da língua portuguesa. Você foi muito importante pra mim. Jamais vou te esquecer. Foram os melhores dias da minha vida. Não mereço alguém tão perfeita. Seja feliz. Um beijo do sempre seu, Mané.

É um mané graduado, com ph.D em tortura. Deve ter feito um estágio no Doi-Code. Caramba, se ele acha você tão importante, tão perfeita, tão idolatrável, que diabos está fazendo com outra namorada? Por que não some do mapa de uma vez? Por que não faz a gentileza de deixar você esquecê-lo?

Os dias passam e o cara não escreve mais. Você retoma sua vida, lentamente. Ainda pensa muito nele, mas começa a perceber outras pessoas a sua volta e resolve abrir a guarda para a entrada de um novo amor. Aí, outro e-mail do Mané pousa na sua tela. Por que você anda sumida? Sinto muita saudade. Você é minha melhor amiga, sinto muito carinho por você.

Merece ou não merece um tijolo no meio da testa? Que papo é este de melhor amiga? Quanto ao carinho dele, você embrulha e envia para a Venezuela, alguém lá pode estar precisando. Se ele não pode dizer as coisas que você quer ouvir, que não diga nada. Tudo o que ele consegue com essa lengalenga é fazê-la passar outra temporada na farmácia.

Não estou recomendando grossura. É muito bom saber que a gente foi importante para alguém depois que o romance foi finalizado. Mas cautela aí no politicamente correto. Pessoas apaixonadas querem declarações apaixonadas. A transição de namorada para amiga só é rápida e indolor quando não há mais paixão. Cabe ao que saiu de cena ter sensibilidade para deixar o outro sofrer em paz, sem alimentar esperanças. Mais tarde, ânimos serenados, reconstrói-se a relação em outras bases, se for o caso. Atacar de melhor amigo sabendo que a garota está abalada pode parecer uma atitude bacana, mas é apenas sadismo.



Escrito por Fabiane às 21h08
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Uma flor selvagem

Lya Luft



O amor é uma escultura que se faz sozinha.
É uma flor inesperada sem estação do ano para surgir nem para morrer. Vai sendo esboçada assim ao léo: aqui a sobrancelha se arqueia, ali desce a curva do pescoço, a mão toca a ponta de um pé, no meio estende-se a floresta das mil seduções.
Imponderável como a obra de arte, o amor nem se define nem se enquadra: é cada vez outro, e novo, embora tão velho.
Intemporal. Planta selvagem, precisa de ar para desabrochar mas também se move nos vãos mais escuros, em ambientes sufocantes onde rebrilham os olhos malignos da traição ou da indiferença, e a culpa o pode matar.
O convívio é o exercito do amor na corda bamba. Os corpos se acomodam, as almas se espreitam, até se complementam. Mas pode-se cair no tédio – sem rede –, e bocejar olhando pela janela.
Inventamos receitas para que o amor melhore, perdure, se incendeie e renove... nem murche nem morra. Nenhuma funciona: ele foge de qualquer sensatez, como o perfume das maçãs escapa num cesto de vime tampado.
Se fôssemos sensatos haveríamos de procurar nem amar, amar pouco, amar menos, amar com hora marcada e limites. Mas o amor, que nunca tem juízo, nos prega peças quando e onde menos esperamos.
Nunca nos sentimos tão inteiros como nesses primeiros tempos em que estamos fragmentados: tirados de nós mesmos e esvaziados de tudo o mais, plenos só do outro em nós.
Nos sentimos melhores, mais bonitos, andamos com mais elegância, amamos mais os amigos, todo mundo foi perdoados, nosso coração é um barco para o qual até naufragar seria glorioso (ah, que naufrágios...).
Mais que isso, nesse castelo – como em qualquer castelo – não pode haver dois reis. Quem então cederá seu lugar, quem será sábio, quem se fará gueixa submissa ou servo feliz, para que o outro tome o lugar e se entronize e... reine?
A palavra “liberdade” teria de ser mais presente, porém é mais convidada a discretamente afastar-se e permitir que em seu lugar assuma o comando alguma subalterna: tolerância, resignação, doação, adaptação.
Rondando o fosso do castelo, a vilã de todas a culpa.
Quem deixou sobre minha mesa o bilhete dizendo “se você ama alguém, deixe-o livre” sabia das coisas, portanto sabia também o desafio que me lançava. No mundo das palavras há tantos artifícios quantas são as nossas contradições.
Por isso, conviver é tramar, trançar, largar, pegar, perder. E nunca definitivamente entender o que – se fossemos um pouco sábios – deveríamos fazer.
Farsa, tragédia grega, outras soneto perfeito: o amor, com as palavras, se disfarça em doces armadilhas ou lâminas mortais.



Escrito por Fabiane às 21h16
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Paralamas disseram:

A crueldade de que se é capaz
Deixar pra trás os corações partidos
Contra as armas do ciúme tão mortais
A submissão às vezes é um abrigo

Saber amar
É saber deixar alguém te amar

Há quem não veja a onda onde ela está
E nada contra o rio
Todas as formas de se controlar alguém
Só trazem um amor vazio

Saber amar
É saber deixar alguém te amar

O amor te escapa entre os dedos
E o tempo escorre pelas mãos
O sol já vai se pôr no mar


Escrito por Fabiane às 21h09
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Questionamentos por uma face de Pessoa

Álvaro de Campos
 
Mas Eu
 
   Mas eu, em cuja alma se refletem  
   As forças todas do universo, 
   Em cuja reflexão emotiva e sacudida 
   Minuto a minuto, emoção a emoção, 
   Coisas antagônicas e absurdas se sucedem — 
   Eu o foco inútil de todas as realidades, 
   Eu o fantasma nascido de todas as sensações, 
   Eu o abstrato, eu o projetado no écran, 
   Eu a mulher legítima e triste do Conjunto 
   Eu sofro ser eu através disto tudo como ter sede sem ser de água.


Escrito por Fabiane às 14h48
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Dance, Monkeys de Ernest Cline



Escrito por Fabiane às 01h33
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CARPE DIEM para releleitura atual...



Escrito por Fabiane às 00h16
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